Aula de Registro de Impressão de linóleo/xilo – parte 2

Já está disponível no meu canal de Youtube a segunda parte da aula de registro de impressão para linoleogravura e xilogravura. É uma técnica que requer um pouco mais de cálculos em relação à primeira técnica, e que vai funcionar para fazer gravuras com várias matrizes, ou mesmo matriz perdida. Espero que gostem.

Liberdade – Pré-venda

Já está disponível na Loja Virtual, até 31/03 a pré-venda da camisa com a estampa LIBERDADE, uma adaptação punk riot grrrl de uma gravura do Mucha.

A camisa possivelmente será produzida em 100% algodão Menegotti, mais leve e de melhor qualidade. Também será possível escolher entre 4 opções de combinações de cores.

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Gravura contra o neofascismo

Basta ler o livro de Jason Stanley “Como funciona o fascismo” para entender que não há argumentação que mude a ideia de um fascista. Buenaventura Durruti dizia que ‘o fascismo não se discute, se destrói’. Estamos lidando com os fascistas e suas necropolíticas há 80 anos, lutando a favor de uma democracia falha, que abre espaços para que esse tipo de pensamento ganhe espaço e poder. Todos os anos surgem novos governantes ao redor do globo reproduzindo o mesmo discurso de ódio e purismo como eram apresentados nos anos 30. Lembrando que o fascismo não existe apenas a nível governamental. Está presente no dia a dia, nas ações, nas ideias. Não se deixem enganar. Liberdade de expressão anda de mãos dadas com respeito e solidariedade, nunca com discurso de ódio.

Abaixo o vídeo em timelapse de um projeto para uma capa de uma coletânea que reúne bandas de todo o mundo cantando e tocando contra o neofascismo. A convite do Marcelo, vocalista da banda Las Calles, eu desenvolvi esse projeto. Para destruir o fascismo, necessitamos coletividade, solidariedade, respeito e ação direta.

“Seja de qualquer cor, de onde for, vem meu igual.” Cólera

“Sua tolerância a um regime, onde a essência humana é aviltada, não o torna também o inimigo, aquele a ser varrido de sobre esta terra? Ignorar o fascismo é se tornar fascista. Moscas que fazem parte desta sujeira.” Solstício

“Os assassinos livres no poder
O fascista imune as leis
Limpeza étnica
Fria e brutal”
Ação Direta

“Adolf me lembra só agonia, sangue, dor, lágrimas e melancolia
Adolf me lembra restos mortais que foram resultado das diferenças raciais
Adolf me lembra destruição de assistir ao chumbo quente entrando em um coração
Adolf lembra racismo e me dói ver alguns jovens filiando-se ao seu fascismo
Num mundo sem fronteiras só de cooperação
Seriamos todos amigos, seriamos todos irmãos
Sem estados, sem limites, sem países, sem fronteiras
Vermelho, preto e branco não será mais sua bandeira”
Street Bulldogs

Como fazer stencil?

Olá a vocês que acompanham as postagens daqui. Venho lhes dizer que está no ar mais uma aula no canal de Youtube, e desta vez eu ensino como transformar uma imagem em um stencil utilizando o aplicativo Photoshop, e também utilizando o editor de fotos simples do celular para chegar no mesmo resultado. Espero que gostem, abraço.

Revisitando pintura de 2015

Eu curto ver fotos de pinturas antigas, me faz lembrar da época em que eu estava pintando, onde eu morava na época, o que eu fazia. Essa pintura feita com acrílica aguada foi feita em um painel de 20x20cm, e me ajudou a arrecadar dinheiro para poder fazer meu intercâmbio na Argentina. Bons tempos. De lá para cá eu pintei muito pouco, me dediquei muito mais à gravura e impressão.

Colar lambe-lambe

Colar lambe-lambe é uma prática universal e que me dá muito orgulho de fazer parte do movimento. Eu faço a produção toda em stencil e em serigrafia, e a minha cola é bastante espessa, uma mistura melequenta de água, polvilho azedo e soda cáustica. Faz tempo que dei um tempo nas tarefas de intervenção pela cidade, mas hoje deu saudade e pretendo retomar em breve os rolés.

Experiência com a morte

Foi a primeira vez que ouvi falar dessa experiência. Poucas pessoas tiveram a chance de presenciá-la. Não estou dizendo que é algo belo ou confortável, e que todos precisam passar por isso. Só quero narrar um pouco do que foram esses momentos que, seguramente, me marcarão por toda a vida.

Ano passado, 2020, no princípio da pandemia, minha avó materna faleceu. Ela estava internada em um hospital, e vários de seus filhos e uma de suas netas (minha irmã) estavam no revezamento para acompanhá-la. Ela deixou esse mundo enquanto minha irmã segurava suas mãos. Ela morreu de morte natural, já tinha bastante idade e muita experiência de vida. Minha irmã acompanhou todo o processo e me disse que é um momento muito diferente, que nos muda. Presenciar uma morte natural talvez seja comparado ao momento do nascimento. Os dois opostos deste tempo em que uma vida existe.

No decorrer de 2020, meu pai desenvolveu um tumor maligno na cabeça do pâncreas. Ele perdeu muito peso, e os primeiros sintomas, icterícia principalmente, apareceram por volta de outubro. Em novembro veio a primeira internação. Os médicos ainda não tinham muita certeza, ou não nos falavam muito bem o que estava acontecendo. Pesquei algumas conversas entre eles enquanto acompanhava meu pai, e o termo “neoplasia periampular” começou a surgir. Pesquisando na internet, descobrimos que o o termo diz respeito ao câncer de pâncreas, cujos sintomas aparecem já em estágio avançado e a maioria dos pacientes possuem uma sobrevida média de 6 meses depois do diagnóstico. Há aqueles casos de pessoas que vivem 10 anos, mas é raro.

Com isso em mente, o desespero e a tristeza fizeram parte de nossas vidas durante esse tempo. Foram várias consultas e exames, algumas endoscopias e a colocação de duas próteses para manter o sistema digestivo tentando funcionar. Os médicos chamavam isso de “dar qualidade de vida” ao paciente. Talvez esse termo fale sobre ter os familiares por perto, porque desde o diagnóstico até seu falecimento, meu pai não teve descanso e nem paz. Começou com o estômago acumulando alimentos e líquidos, expandindo e pressionando outros órgãos. O duodeno, que estava com uma prótese para desobstruir a passagem de alimentos, não funcionou muito bem, e começou a vazar líquidos para fora do sistema. O pâncreas começou a atrofiar. Dores na lombar o incomodavam a ponto dele não achar posição para ficar, nem em pé, nem sentado e nem deitado.

Foram meses sem dormir, sem comer, sem beber, com muitas dores, sem conseguir se locomover direito. No princípio de janeiro, já raquítico, sem musculaturas, sua audição e fala foram comprometidas. Seus olhos já aparentavam estar afundados no crânio, seus ossos estavam muito salientes. Em janeiro, houveram mais duas internações. Acompanhamos todo o processo de perto. Eu o visitava todos os dias, ainda que ele dormisse a maior parte do tempo. Eu tinha muito medo dele não acordar. Estávamos cientes de que esse dia poderia chegar a qualquer momento. Eu abri mão do meu trabalho, e apenas produzi o que estava ao meu alcance. Havia algo mais importante acontecendo.

Na terceira internação ele já estava muito debilitado. Ficava confuso e disperso, ficou com a locomoção completamente dependente de terceiros. Ele não achava posição, e mudava a cada cinco minutos. Levávamos ele da cama pro sofá, do sofá pra poltrona, de volta pra cama. Ele dizia que não sabia o que queria, mas o ajudávamos mesmo assim. Houve pequenos conflitos entre a gente, normais nestas situações. Já andávamos desgastados dessa maratona de cuidados e dedicações.

A cada momento surgia uma nova questão. Desde outubro ele desenvolveu anemia, diabete tipo 2, infecção abdominal, princípio de trombose, inflamações diversas, embolia pulmonar, enfisema pulmonar. Nós entendemos que isso é o corpo parando de funcionar aos poucos. O médico nos disse que a situação dele era gravíssima. T4N2M1 no primeiro diagnóstico. Essa classificação piorou com o tempo.

Na noite do dia 24/01 o colocamos para deitar. Estávamos eu, minha irmã e minha mãe no quarto. Meu pai era um paciente em estado terminal e nos foi autorizado ficar com ele. O primeiro turno acordado era o meu. A madrugada chegou, e por volta das 2h já do dia 25, meu pai levantou a mão. Ele não conseguia falar muito bem, e muitas coisas eram feitas por gestos. Eu fui até ele e ele me disse que queria “dormir”. Falou duas vezes e foi isso que eu entendi. Ele queria levantar, ele queria sentar, ele queria ficar de pé. Ele queria descansar. Tanto tempo privado do sono, e ele precisava desse descanso. Minha irmã acordou e eu fui deitar. Ele estava com algumas sondas entrando pelo nariz, mais o acesso de soro e medicamentos nas mãos. O acesso que teve que ser feito e refeito várias vezes, pois as veias estavam muito finas e não corriam mais sangue. Minha irmã falou com ele que não iria levá-lo pro sofá porque estava inviável. Todas as vezes era muito sacrifício para ele, ser carregado, a gente sem jeito, muitos equipamentos para levar junto.

Ela subiu o encosto da cama e ele se sentou. Sua respiração estava ofegante. Dava para perceber que o ar não estava chegando onde deveria. Eu estava deitado em uma poltrona reclinável que o enfermeiro trouxe. Eu estava de frente para ele. Ele estava olhando a janela, e sua respiração estava forte, como quem fazia muito esforço para conseguir puxar o ar. Ele ficou imóvel das 2:30 às 7:30. Durante esse tempo eu o observei por cada segundo. A frequência da respiração foi ficando menor, cada vez mais. O enfermeiro disse que esse estado chama “estado agonizante”. Não sabemos muito bem se ele ainda estava consciente, ou se já tinha ido. De qualquer forma, o enfermeiro aplicou mais uma dose de morfina, para ele não sentir dores. Esse é o estágio final antes de ter o óbito declarado.

Meu pai faleceu na manhã de segunda, dia 25/01. Ele estava olhando para a janela e viu o sol nascer. Essa simbologia foi muito forte para mim. O nascer do sol tem algo de “um novo mundo”, de uma renovação das experiências, das ideias, das lutas. Ali no horizonte onde ele surge, iluminando cada parte da paisagem, indicando o novo dia.

Os simbolismos ficaram muito presentes no decorrer destes dias. Até os astros se mostraram simbólicos para mim, mas não irei prolongar sobre isso. Presenciar uma morte foi algo muito forte, cada cena está marcada na minha memória. Fico satisfeito de ter conseguido despedir dele, e dizer o quanto eu o amava. Cada dia do processo foi doloroso para nós, e aqui neste texto não é possível descrever com precisão tudo o que passamos. Não acredito em vida antes ou depois da morte, acredito neste tempo em que vivemos e em como aproveitamos nossa estadia. Fora disso são outros quinhentos. Me apego a ideia de que meu pai descansou e teve paz de todo os meses de sofrimento e dores e internações. Talvez as dores maiores são as de quem fica, pois não teremos mais a sua presença física, apenas as memórias. E nesse momento é importante ressaltar a presença da família, de amigos e de pessoas próximas. Fazem muita diferença.

Presenciar um processo de morte, experiência marcante. Escrever sobre o processo me traz lágrimas e lembranças, boas e ruins. Faz parte da vida também.

Nova estampa em pré-vendaaaaa

Finalmente vai sair do forno a estampa baseada na música do Discarga (Contracultura) em que eu exalto as ações punks e anarquistas de todo o mundo. Tudo é referência, tudo é história.

Compre na pré-venda pela minha loja online, com previsão de envio e distribuição a partir de março. Clique aqui.

Stencil em Halftone

Halftone (ou Meio Tom) é um técnica de criar efeitos de degradês e luz e sombras, utilizando apenas uma cor chapada. Consiste em utilizar formas em diferentes tamanhos e espessuras para “enganar” o olho e simular uma imagem como se fosse real.

Muito utilizado em técnicas como serigrafia, xilo/linóleo e stencil, o Halftone é a principal técnica de simplificar a matriz para conseguir um bom resultado de impressão artesanal.

Nesse caso, eu peguei uma foto antiga, de uma modelo que pousou para o artista Alphons Mucha, e fiz uma versão em Halftone em stencil, utilizando linhas. Repare que as linhas possuem diferentes tamanhos e espessuras.

Esta é a foto original, que serviu de modelo para meu stencil.

As impressões podem ser adquiridas na minha loja online.

Stencil Mars Blackmon/Spike Lee

Conheci o personagem Mars Blackmon assistindo ao seriado “Ela Quer Tudo”, dirigida por Spike Lee. É uma série adaptada do filme homônimo dos anos 60, dirigido e estrelado por Spike Lee também. A série/filme gira em torno das experiências sociais, amorosas, profissionais de Nola Darling, e Mars Blackmon é um dos personagens coadjuvantes.

Comecei a ver a série por conta do visual do personagem Mars, com Anthony Ramos fazendo seu papel. Messenger com single speed, visual a caráter bem estiloso, cap de ciclista, personalidade própria, o personagem com quem mais me identifico dos três coadjuvantes. Essa imagem me fez querer acompanhar a série e, posteriormente, ver o filme.

O filme é diferente, traz elementos do contexto da época, e Spike Lee soube aproveitar bem o tempo/espaço, e as discussões e reflexões que os acompanham, em cada cena. Ambos trazem reflexões sobre a vida na cidade, racismo, relações humanas, cultura. Acho que vale a pena assistir.

Esses stencil que eu fiz é uma homenagem a esse personagem, Mars Blackmon, e seu criador, Spike Lee.

A impressão deste stencil pode ser adquirida através da minha loja virtual.