Fim da temporada de oficinas

Amigxs, seguidorxs, clientes, alunxs, simpatizantes, vim avisar sobre o fim da temporada de oficinas de 2019. A partir de agora ao fim ano, me dedicarei a uma série de viagens junto com o projeto Conexão Comunidade para ministrar oficinas em várias outras cidades, e também me dedicarei aos estudos e escrita do meu TCC em licenciatura em Artes Visuais, a ser apresentado no final do ano.

Sobre as viagens, tentarei escrever aqui sobre as experiências, colocar algumas fotos, vamos ver o que darei conta, mas, de qualquer forma, tentarei manter o blog atualizado.

Sobre meu TCC, estou escrevendo sobre minhas experiências com educação não-formal e a importância delas fora do âmbito escolar. Ainda falta muita coisa, estou em um ritmo lento de escrita, mas acho que vai rolar um trabalho massa.

Foram tempos de muita aprendizagem, novxs amigxs, muita troca e compartilhamento de experiências, boas conversas e muitas ideias. Muitos cursos e oficinas não rolaram por falta de interessadxs, mas muitos outros cursos e oficinas rolaram por que haviam pessoas interessadas nas técnicas. Muita coisa dá certo, muita coisa dá errado, e é assim que seguimos a vida, contornando as dificuldades e refletindo sobre os possíveis erros para seguir trabalhando e produzindo.

Só tenho a agradecer à todxs que botaram fé no rolé, que me incentivaram, à toda Rede que ajudou a divulgar, pois todo o processo foi importante para mim.

Seguirei ofertando cursos e oficinas em 2020, fiquem de olho.

A Loja Online seguirá ativa, porém o envio dos produtos poderá demorar um pouco, pois estarei longe do meu atelier.

¡Hasta luego!

 

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Oficinas com desconto

2 oficinas ocorrerão durante o mês de setembro. Elas estão custando praticamente 50% do valor original, e a ideia é esgotar as vagas para conseguir pagar as contas. As oficinas ocorrerão no mesmo final de semana, uma no sábado e a outra no domingo. São oficinas básicas, para iniciar na técnica, aprender as nomenclaturas, manusear o produto, decalcar, gravar e imprimir.

Oficina de Xilogravura (gravura em madeira) e Oficina de Linoleogravura (gravura em matrizes emborrachadas), são técnicas similares, porém com características diferentes. Possibilitam gravações diferentes com efeitos diferentes, além de custos diferenciados.

Se inscreva pela loja virtual https://laidea.minestore.com.br/

 

Setembro para pagar contas

Neste mês de setembro, a loja online estará com 30% de desconto na maioria dos produtos. Além disso, há uma seção de livros usados para venda. Eu, meu pai e minha mãe separamos muitos livros que estavam parados aqui em casa para tentar fazer algum dinheiro. Deem uma olhada na Loja:

https://laidea.minestore.com.br/

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De acordo com a minha planilha, onde registro todos os meus ganhos e gastos com o trabalho, meu salário médio mensal é de 470 R$. Isso é que sobra para ser gasto com alimentação, higiene pessoal, lazer, vestuário, serviços, esportes, faculdade, transporte. Sinceramente, não dá para pagar todas as contas. Esse valor é apenas uma média, pois há meses em que os ganhos são bem menores que isso, outros em que são maiores. Nos que os ganhos são maiores, consigo guardar dinheiro para pagar algumas dívidas. Nos que são menores, eu me “fodo” completamente. E isso porque não existe férias nem 13º. Ser MEI é viver assim, na eterna insegurança, na eterna dúvida se no fim do mês tudo poderá ser pago ou não.

 

Existe vida além do shopping

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A enfermeira Fulana trocou o cinema pelo Netflix e cortou shows e teatro da rotina. Beltrana deixou de passear com os filhos em shoppings para ir a praças e parques públicos levando o próprio lanche.

Este trecho foi retirado do jornal “O Tempo” de 01/09, de uma matéria de capa que fala sobre crise financeira, cortas gastos e fazer bicos. Aparentemente nada de anormal na matéria, mas esse trecho em específico me fez repensar duas questões.

A primeira delas é “trocar o cinema e o teatro por Netflix”, como se ambos fossem exatamente a mesma coisa. No cinema (e eu digo bons cinemas, não esses de shoppings) você assiste a bons filmes, tem uma qualidade de som e imagem, ajuda a financiar filmes interessantes, muitas vezes independentes, que te fazem refletir sobre algo. Ao sair do cinema, você estará na rua, podem sentar-se em uma praça, conversar/debater sobre o filme, estreitar laços de amizade, ocupar o espaço urbano de uma maneira sadia. Ao sair do cinema, há milhões de outras programações gratuitas esperando público. No teatro a mesma coisa. Você colabora com grupos e artistas, com ideias, discussões, compreende o trabalho das várias pessoas envolvidas no processo da peça. Netflix é algo muito impessoal. Você assiste (há um pagamento também, porém mensal), geralmente compra algo em um desses aplicativos de comida (Rappi, iFood, UberEats, Glovo…), e logo depois vai dormir (ou fazer sexo, ou qualquer outra coisa). O que importa nessa minha fala é que tudo se repete, é sempre dentro de casa, local fechado, fazendo as mesmas coisas. A cidade é dominada por carros, enquanto deveria ser dominada por pessoas e atividades. E eu tenho minhas dúvidas se isso é realmente uma “economia”.

A segunda delas é o fato de que somente com uma crise financeira as pessoas descobrem que há uma vida urbana que vai além de shoppings centers e suas praças de alimentação e lojas. Ainda não consigo compreender a ideia de que as pessoas vão a esses lugares para passear, pois shoppings são locais de compra, tudo ali é pensado e planejado para que você compre. Praças e parques são locais de passeio, de descanso, de atividades ao ar livre, de encontros, de desfrute, de lazer. Eles foram feito e pensados para isso. São locais que quebram o caos e o cinza da cidade caótica, é onde você respira melhor, pode sentar-se e observar a movimentação da vida urbana. Belo Horizonte não é o lugar mais adequado para isso, eu sei, pois fora da Avenida do Contorno, a quantidade de praças e parques significativos é muito baixa. No bairro Padre Eustáquio, por exemplo, são consideradas praças uma rotatória e o estacionamento da igreja. Esses locais não possuem espaços verdes em abundância, nem locais satisfatórios para sentar e descansar, além de estarem situados em locais caóticos. Praças e parques significativos devem ocupar o espaço de um quarteirão, onde os moradores locais podem passear e descansar, podem exercitar-se, ler, observar, relaxar. Fugir desse caos que é BH. Você já parou para pensar se no seu bairro há praças ou parques que são significativos? Grandes e ocupados pelos moradores? Com áreas verdes, locais para sentar, gramado e arborizados?

Eu não culpo @s pais por levar os filhos para passear no shopping, afinal, tenho quase certeza que o bairro em que el@ mora não deve haver praças e nem parques. Eu até imagino el@ descendo para a garagem de seu prédio, entrando na SUV com os filhos, e dirigindo por BH buscando algum lugar em que ela consiga estacionar próximo a uma praça ou parque, para que os filhos possam se divertir. É difícil achar, sobretudo na área central, onde se concentram essas estruturas. “Espaços urbanos são perigosos, há muita gente, de diversas classes sociais, não há segurança, não há limpeza” dizem @s pais na minha imaginação, por isso el@ busca os shoppings. El@ paga um estacionamento e não existem flanelinhas. El@ desce do carro, caminha pelo estacionamento entre os carros, pois os estacionamentos não possuem locais seguros para pedestres (e aparentemente ninguém se incomoda com isso), e lá dentro há várias opções de vitrines para ver, filmes campeões de bilheteria, praça de alimentação com comida merda, ar condicionado, seguranças, e el@ realmente entende que aquele passeio é a melhor forma de entretenimento e lazer.

É uma lógica que eu não entendo.

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La Plata, Argentina. Fotografia aérea
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Belo Horizonte, Google Earth

La Plata é uma cidade em que, em teoria, serviu de base para o mapa urbano de Belo Horizonte. Uma coisa que me impressiona muito são as quantidades de áreas verdes e de regularidade viária que La Plata possui. Tenho dois amigos que fizeram intercâmbio lá e posso perguntar sobre a cidade para falar melhor posteriormente. Olhando do alto, Belo Horizonte possui pouquíssimos parques e praças, pois são coisas que, se feitas de forma significante, se destacam em meio ao cinza da área construída. A diferença é gritante. A área que corresponde ao bairro Padre Eustáquio nem demonstra sinal de que há algum espaço ali considerado praça ou parque. Onde estão as áreas verdes de BH? Esse processo de não haver espaços públicos de boa qualidade, amplos e acessíveis, talvez tenham feito com que os shoppings sejam mesmo os locais adequados para para passear. Há banheiros, chão regular, temperatura constante, locais para sentar-se, locais para comer… E Belo Horizonte se torna cada vez mais esse caos. Ninguém aguenta mais não. Transformaram em regra o que era para ser exceção. Enquanto seguir essa política urbana de construir praças em rotatórias, e fingir que há praças em estacionamentos de igrejas, a cidade seguirá essa masmorra. Dediquem 2  quarteirões em cada bairro para áreas verdes. Isso sim é qualidade de vida.

 

 

Adendo: BH se mostra carente de espaços públicos significativos, basta ver as ciclovias da cidade. Elas se tornam pistas de corrida e de caminhada. Não há espaços para a prática esportiva nos bairros.

Reflexões sobre a oficina no Memorial

No dia 27/07 eu fui convidado para propor uma oficina voltada para crianças no Memorial Minas Vale. Enviei duas propostas e a equipe do educativo curtiu a proposta de uma oficina de impressão de estêncil. Colocamos as diretrizes: média de idade entre 7 e 12 anos, público passante, estêncil com referências ao acervo do local, máximo de 15 pessoas na oficina para não tumultuar, oficina com 2 horas de duração. Tudo certo. Eu e minha esposa fomos ao Memorial fotografar algumas peças para usar de referência e tivemos várias surpresas. Não sei se é o meu preconceito com Museus e Galerias, ou com o Circuito da Pça da Liberdade, ou com as grandes empresas que dominam tudo, mas o local me impressionou bastante. Muitas obras sobre Minas Gerais, praticamente contando a história da Estado, tem pintura rupestre, objetos, maquetes, referências contemporâneas, literárias, tem coisa do Sebastião Salgado, sala multimídia… te confesso que me deu um certo pesar de não conhecer este espaço antes.

A oficina foi em um sábado e eu passei toda a sexta feira cortando estêncil para a oficina. A maior parte das matrizes foram sobre pinturas rupestres. Fiz também o mapa regional de Minas Gerais em três matrizes, fiz um de uma decoração do Memorial e outro de um objeto bem específico, mas que representa bastante MG.

Chegamos em ponto e começamos a arrumar a mesa. Alguns membros da equipe do educativo me auxiliaram durante o processo, bem como minha esposa, parte essencial da fluidez do trabalho.

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Logo foram chegando o público do museu, e muitos já chegavam cedo para a oficina, para não perder lugar. A partir daí foram as duas horas mais curtas pelas quais eu já passei na minha vida. Chegavam e chegavam pessoas, traziam seus filhos, perguntavam coisas, pediam papel, eu e Natália, minha esposa, naquela correria de tentar atender todo mundo, explicar como funcionam as técnicas de impressão, como fazer com a tinta, etc. Nusga, quando vi já estava quase na hora de encerrar a oficina. Crianças e adultos de todas as idades acabaram fazendo a oficina. Isso mesmo, não se limitou à faixa entre 7 e 12 anos. Tinham crianças mais novas, adolescentes, jovens, adultos, muitos pais fazendo acompanhando filhos mais novos, sobrinhos e sobrinhas, muitas pessoas de outros estados passaram por ali, e eu pensando em quão rica pode ser uma experiência assim em uma manhã de sábado. Uma mãe presente me disse que gosta de ir fazer essas oficinas porque são os momentos em que ela consegue distrair do cansaço do dia a dia. Outro pai foi ajudar o filho, e o filho não gostou, então ele mesmo foi fazer a pintura/impressão dele. Vários familiares perguntando sobre os materiais, pois viram que são coisas simples de se fazer, e que, apesar da bagunça, entretém as crianças muito mais que um celular brilhando na cara delas. Algumas crianças se sujavam, pintavam com as mãos, outras eram mais sérias, queriam fazer algo esteticamente interessante, outras fizeram várias composições. Cabuloso. Muitas crianças vieram me agradecer ao final da oficina, e nisso eu me derreto. Adoro quando me agradecem por algo que eu compartilhei/ensinei/ajudei. Talvez seja o grau de satisfação que me eleva e me faz entender que estou na área certa, apesar dos pesares.

Enfim, só tenho a agradecer a todxs que participaram e ajudaram nesse rolé. Foi muito massa.

Oficina de Linoleogravura

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Opa, opa, passando para avisar que vai rolar oficina de linoleogravura no dia 16/08, sexta-feira. Aos poucos vou retomando a rotina de cursos e oficinas, vou ajeitando meu calendário de acordo com meus horários confusos. Mas se liga:

Oficina de Gravura em Linóleo e similares

Nesta Oficina serão apresentados alguns possíveis materiais para gravação de matrizes, iremos gravar e imprimir com técnicas manuais.

O linóleo é um material sintético muito utilizado para forro de piso em países com variação térmica muito alta durante o ano. Sua utilização na gravura é similar à Xilogravura, porém é um material que oferece menos resistência ao entalhe, e sua impressão se dá de forma mais chapada.

Todos os materiais que serão utilizados na oficina já estão incluídos no valor.

Os participantes deverão levar um desenho/imagem no tamanho a5 para aprender a trabalhar com a técnica.

Próxima turma: Sexta-Feira – 16/08/2019 – 14h – R$90

*ATENÇÃO*

A Oficina será em Belo Horizonte – MG, em atelier próprio. O endereço será enviado juntamente com a confirmação da compra!

 

 

INSCRIÇÕES: https://laidea.minestore.com.br/produtos/oficina-de-linoleogravura