Tempos de promoções

Estou em uma campanha para tentar dar uma esvaziada no meu estoque de camisas, abrir espaço para uma nova produção e novas ideias. Portanto, todas as camisas da Loja Virtual estarão com valor de R$30, e diminuirão para R$25 se comprar 2 ou mais unidades.
Vender camisas é uma tarefa muito ingrata. Exige um alto investimento inicial e possui um retorno a longuíssimo prazo. É tão longo que você praticamente nem percebe o dinheiro que entrou com essas vendas. Pra valer a pena, o volume de vendas a curto prazo deveria ser alto, mas infelizmente não é assim.
Então, bora colocar essas camisas pra circular a preços baixos e abrir espaço para novidades.

Tatuagem da velha escola

Não é nenhum segredo o fato de que as tattoos estilo Old School são as que mais me agradam. É incrível o fato do artista sintetizar vários elementos em traços, sobras e coloridos simples. Claro que existem diferentes níveis de detalhamentos, e cada artista acaba colocando características próprias nas suas criações, mas isso não deixa de ter um papel especial no meu gosto por tatuagens. O estilo Old School, também conhecido como tradicional americano, teve sua origem com o lendário artista Saylor Jerry que, alistado na Marina dos Estados Unidos, teve contato com as tatuagens orientais e após a sua “aposentadoria” passou a tatuar os próprios marinheiros no Hawaii, com temáticas presentes na vida destes e com equipamentos e cores que haviam disponíveis na época. Hoje é um estilo muito disseminado, com várias ramificações, mas o tatuador que trabalha com Old School sabe muito bem porque o faz, e deveria conhecer bem sua história e como fazer bem feito.

Essa ilustração é uma homenagem a esse primórdio das tatuagens tradicionais ocidentais, representando a vida dos marinheiros (que eu boto muita fé, apesar de ser contra o militarismo e as forças armadas). O pôster impresso em alta resolução pode ser adquirido na Loja Online.

Para esse texto, utilizei como referência esse artigo.

Pintura digital

Esses dias comecei a fazer uma composição em perspectiva para mostrar em uma de minhas aulas de desenho virtuais como funciona o processo. Eu gostei tanto da composição que decidi continuar desenhando, transformando o que era um esboço em uma pintura digital, feito com o aplicativo Pro Create. A imagem foi produzida com registros manuais ou no “olhômetro”, portanto, as linhas tortas ou côncavas se fazem presentes. Utilizar de proporções matemáticas e exatas não foi uma solução na qual eu quis trabalhar.

Foi bem massa esse processo mais longo de um meio digital, tentei fazer detalhes bem minuciosos, trazer elementos das cidades grandes, graffitis, pixações, stickers, edifícios, propagandas, antenas, etc. O processo de desenho e pintura foi bem longo mesmo, e logo após o esboço, eu comecei a aula de desenho, para algumas explicações sobre o processo. O time-lapse do vídeo pode ser visto no link abaixo.

Marshall “Major” Taylor

Essa ilustração foi feita para homenagear o grandioso ciclista Marshall Taylor (Major Taylor), que conseguiu bastante notoriedade nas provas mais duras do ciclismo na época, enfrentou e combateu o racismo estrutural (apartheid) existente na época, e conseguiu registrar seu nome na história tanto do esporte quanto na do movimento negro. Um exemplo a ser seguido e admirado. O racismo não acabou. No esporte, tanto amador como profissional, vemos casos de racismo até mesmo entre integrantes da mesma equipe. Em 1896, Major Taylor foi expulso das competições de ciclismo em Indiana, USA, por obter mais vitórias e melhor desempenho que os atletas brancos. Pouco mais de 100 anos se passaram, e ainda vemos casos de situações similares.

O pôster desta ilustração pode ser adquirido clicando aqui.

Capas de The Smiths

Revisitando antigas pinturas, não me lembro muito bem de quando essas foram produzidas. São reproduções de capas de álbum da banda The Smiths. Todas feitas com tintas acrílicas em painel de 20x20cm. Esses formatos pequenos me agradam bastante, sobretudo para treinar técnicas. Essa série de 4 pinturinhas estão todas na casa da minha irmã, que é fã de Smiths e Morrissey.

Conversando sobre processos e seus tempos

Eu sou uma pessoa lenta para a maioria dos projetos que eu começo a produzir. Conseguir terminar um quadro é um custo, e eu exerço toda a paciência do mundo para conseguir lidar com a tinta acrílica, espero secar, crio efeitos, e esse processo às vezes se alastra por meses, sobretudo se for uma pintura grande. Neste exato momento estou trabalhando com um painel de 110×70 cm, e enquanto esperava as aguadas secarem, pintei 3 quadros menores, de 20×20 cm.

Com gravura é a mesma coisa. Tardo muitos dias/semanas/meses para conseguir terminar uma gravação de uma matriz na madeira. O processo xilográfico para mim é bem lento, com muita concentração. Já demorei quase 1 ano para fazer uma única gravação, pois ficava dias sem dar continuação ao processo da cavucada.

Agora, me impressiona o o quanto sou rápido com gravação em linóleo e com pintura em aquarela. Não sei se são boas habilidades ou falta de paciência, rs, talvez uma mistura dos dois. Para o linóleo eu penso que é um material mais tranquilo de se trabalhar, que dá possibilidades mais objetivas. Para a aquarela, penso que é um conhecimento muito superficial que ainda tenho sobre a técnica, e talvez uma falta de paciência também. Minha migs Prisca Paes sempre diz que devemos ter paciência com a aquarela, seu tempo de secagem, sua forma de trabalho, e eu fico pensando porque eu insisto em tentar fazer rápido.

Coisas da vida de um artista, difícil explicar esses métodos. Mais fácil tentar exercitar novos hábitos de produção. Dar mais tempo ao tempo (muito clichê, mas tudo a ver).

Cansei do Coronavírus

Eu estou lidando muito mal com essa ideia que ficou conhecida como “o novo normal”. Usar máscara o tempo todo, seguir evitando aglomerações, não trombar com ninguém… Ahhhhhh. Que desespero essa situação. Já levamos 1 semestre de isolamento, paranóias, fake news e políticas incapazes de ajudar em algo. Brasil já passou dos 100.000 mortos, BH recém chegou aos 1.000 óbitos registrados (porque sabemos que os números são maiores), e não há previsões para o fim. Pode ser que hajam novas ondas, que retomemos isolamentos mais severos, e ainda tem muita história para acontecer nesse capítulo pandêmico.

Os médicos que ajudaram a combater a praga da Gripe Espanhola há 100 anos atrás possuíam várias teorias sobre a pandemia. As pessoas eram contaminadas pelo cheiro putrefato no imaginário popular e científico. A vestimenta dos médicos incluía uma máscara feita de madeira, com ervas na região do nariz, da respiração, para evitar o mau cheiro dos cadáveres. Durante, pelo menos, três anos a Gripe Espanhola seguiu ativa, contaminando e matando uma renca de gente através do globo. Minhas saudações à todos que ajudaram a combatê-la na época, e minhas saudações àqueles que tentam combater o Covid-19 hoje. Esse desenho é uma singela homenagem.

Revisitando pinturas

Andei dando uma olhada em pinturas que eu fiz há alguns anos. Fiquei muito tempo sem pintar, e durante a quarentena topei o desafio de agilizar alguns corres de pinturas. Essa é de 2014 ou 2015, não me lembro.

É impressionante o quanto alguns temas aparecem com frequência no que eu produzo. Muitas temáticas latinoamericanas, povos oprimidos, povos originários, lutas e movimentos sociais.

É algo que eu gosto de representar, e sei que há pessoas que se identificam comigo nessas temáticas.

Vejo essas pinturas de outrora e fico pensando nas coisas que poderia melhorar, nas técnicas que eu desenvolvi mais, no que faria diferente. É muito louco isso, né? Como as concepções alteram cada vez que você revisita algo.

Pinturas com acrílica

Aproveitando 3 telas de pinturas pequenas, de 20×20 cm, e várias fotos que tirei a partir de edifícios altos no Centro de BH, finalmente retomei minhas habilidades de pintar com tinta acrílica.
A ideia é representar essa cena comum na paisagem urbana Belorizontina, onde topos de prédios (rooftops) levam os nomes daqueles que ousaram escrever por ali, juntamente com essas antenas, emissoras e receptores das diferentes frequências oriundas de sinais diversos.

As pinturas podem ser adquiridas através da nossa Loja Online. O vídeo com parte do processo de produção de uma das pinturas pode ser visto a seguir. Saludos!

Sobre concluir as coisas que começo

Já tem um tempo que eu ando em uma bad produtiva. É uma sensação estranha, não dá vontade de produzir nada e eu acabei entrando em um looping de procrastinação de um nível absurdo. Ontem eu fiquei pensando sobre essa bad produtiva, e imaginei que ela é causada pelo medo. Não digo medo de algo concreto, nem medo de filmes de terror, mas é um medo de começar algo. Como assim?

Nessas últimas semanas eu fiquei com vários trabalhos sem conclusão. Não conseguia terminar, e a maioria eu custei para começar. Parece bobo dizer essas coisas, mas é uma questão que me atinge diretamente. Esse medo de começar ou continuar algo passa por uma ansiedade devida à falta de perspectiva (eu acho) no campo profissional. Já tem um tempo que ando buscando outras formas de ganhar dinheiro porque apenas como artista eu já entendi que não rola, pelo menos por enquanto. Andei buscando outras áreas pra me dedicar e conseguir colocar em prática meu conhecimento de vários campos, mas esse medo estranho me deixou meio paralisado, sem ganas de começar qualquer processo.

Hoje de manhã, enquanto dava aula online de desenho para um aluno/amigo, conversamos sobre processos, e sobre a importância de concluir as coisas. Eu olhei para o meu atelier, enxerguei 4 pinturas inacabadas, vários post-its de projetos/trabalhos faltando conclusão e alguns testes de impressão serigráfica na fila, apenas esperando a minha boa vontade.

Depois do almoço eu decidi que iria prosseguir com os trabalhos em andamento, mesmo sem vontade e sem disposição. Foi tiro e queda. Em uma tarde muito produtiva eu consegui dar continuidade à pintura grande (110×70 cm), e concluí 3 pinturas pequenas (20×20 cm). Além disso, concluí um projeto de estampa que vai virar camisa e pôster em breve e agora estou animado para lavar a pilha de louça suja que se acumulou na pia.

Vim aqui escrever isso porque só bastava 1 comentário pra me fazer refletir sobre esse medo bizarro e estranho de dar continuidade aos projetos. Justo eu, que prezo pelo processo muito mais que pelo resultado, me encontrei travado nesse mar de dúvidas.

E que importância teve essa ação de conclusão. Um dia muito produtivo.